Entrevistas

É possível pensar no futuro

30 / julho / 2015

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.

Para Míriam Leitão, o horizonte brasileiro para as próximas décadas é positivo. Após quatro anos de viagens e entrevistas, a premiada jornalista é categórica: em vez de nos abatermos pelo pessimismo, é possível fazer um balanço racional dos muitos acertos e dos vários erros para construir um futuro melhor para o país.

As descobertas e análises da vencedora do Jabuti em áreas como meio ambiente, demografia, educação, economia, política, saúde, energia, agricultura e tecnologia estão reunidas em História do futuro: o horizonte do Brasil no século XXI, seu terceiro livro de não ficção.

Confira a entrevista concedida pela autora sobre os desafios e aprendizados decorrentes da criação de História do futuro:

historiadofuturo_capa1 – História do futuro, seu terceiro livro de não ficção, mapeia tendências e decisões que indicam o que está por vir. O que você chama de futuro? Qual foi o recorte temporal adotado para o livro?
Míriam Leitão: O futuro começa no presente, por isso há capítulos em que tenho que partir da situação atual para então olhar a evolução provável dos fatos. Como sou jornalista, o que fiz foi entrevistar especialistas, analisar dados, encontrar pessoas que representem as tendências e assim explicar. Mas cada área permite um tempo diferente quando se fala de futuro. Os demógrafos conseguem falar sobre o que acontecerá daqui a várias décadas. Os economistas enfrentam um grau de incerteza muito maior. Os climatologistas trabalham com um tempo enorme. Os educadores sabem que a geração que está agora estudando é o futuro. Por isso o livro não estabelece um ano exato. Ele mostra riscos, chances e tendências, mas a narrativa é a de uma jornalista. E o que nós gostamos é de contar histórias.

2 – Em meio a um cenário de crise, qual é a importância de avaliarmos agora as conquistas e os desafios do Brasil?
ML: Não há melhor momento que este. O país está mergulhado numa crise complicada e com uma sensação de derrota. A gente pode se afundar no pessimismo ou fazer um balanço racional dos muitos acertos e dos vários erros para, assim, organizar o futuro. Temos um monte de problema de curto prazo e, ao mesmo tempo, muita chance de ter sucesso no nosso projeto.

3 – Ao longo de sua pesquisa, desenvolvida por quatro anos, você teve muitas surpresas? Deparou-se com descobertas que contrariam o senso comum?
ML: Aprendi muito. Há várias informações no livro que contrariam o senso comum. Há outras que confirmam mas tornam mais exatas. Todos sabem que o país está vivendo mais e a população está ficando mais madura. Mas, olhando os dados, me dei conta de que em 2050 haverá dez milhões de crianças de zero a quatro anos a menos do que havia em 2010. Isso é equivalente à população inteira de Portugal. Naquele ano, haverá um Uruguai a mais na cidade de São Paulo. Isso cria uma série de tarefas em várias áreas. Eu sabia que o Brasil era um gigante na área ambiental, mas a conversa com os especialistas me surpreendeu.

4 – Que desafios você encontrou durante o processo de pesquisa e de escrita do livro? Como conseguiu conciliar com sua atribulada agenda como jornalista?
ML: Foi difícil, muito difícil. Até porque a agenda do Brasil é lotada de emergências. Eu me programava para ficar uma parte do dia só dedicada ao livro e, de repente, meus planos tiveram que ser alterados. Trabalhei muito em fins de semana e nas férias. Mas para realizar sonhos — os livros para mim são sonhos que realizo — a gente sempre encontra tempo.

5 – Quais foram os aprendizados mais importantes decorrentes da criação de História do futuro? Quais são suas expectativas para a recepção do livro?
ML: Que é possível pensar o futuro. E mais: que é fundamental fazer esse esforço exatamente neste momento em que o país está. Por ter me ocupado da investigação do que está por vir, junto com as pessoas que entrevistei, estou passando por esta crise atual mais calma. A conclusão a que cheguei é que há muito trabalho a fazer, nada vai ser de graça, mas o Brasil tem muita chance. Espero que seja tão bom para o leitor quanto foi para mim.

 

Confira as galeria de fotos dos eventos de lançamento de História do futuro:
Lançamento em São Paulo
Lançamento no Rio de Janeiro
Lançamento em Brasília

Leia um trecho de História do futuro
Confira a participação de Míriam Leitão na Bienal do Livro Rio

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Comentários

6 Respostas para “É possível pensar no futuro

  1. Míriam Leitão é realmente uma excelente personalidade que, com seu conhecimento expansivo na arte da economia e nos principais focos no tema abordado, trouxe através desta entrevista, uma visão sobre a real situação do país e suas possíveis vertentes que nós brasileiros iremos enfrentar nos próximos meses (ou anos), óbvio, mantendo os pés no chão.

    O livro “História do Futuro”, deve ser uma livro enriquecedor e, principalmente, um alerta para nossos hábitos de consumo e possíveis adaptações.

    Adorei a entrevista! Adorei conhecer a sinopse do livro!
    Vocês da Intrínseca e a escritora Miriam, estão de parabéns! Entrou para a lista dos desejados. 🙂

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