Zózimo e a história do Rio

enquanto_1-col

A Intrínseca acaba de lançar a biografia do jornalista Zózimo Barrozo do Amaral. Para quem não sabe, Zózimo foi um dos maiores colunistas do jornalismo brasileiro. Atuou entre 1969 e 1997 nos dois principais jornais cariocas da época, Jornal do Brasil e O Globo, e mudou a forma de fazer colunismo social, usando notas curtas e incluindo a política, entre outros temas, no conteúdo.

O livro Enquanto houver champanhe, há esperança, maravilhosamente bem escrito pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, recupera, além da vida do colunista, um longo período da história do Rio de Janeiro. Não se trata de um relato formal e cronológico dos fatos, mas de um sensível olhar sobre as mudanças de comportamento dos cariocas e, de certa forma, dos próprios brasileiros ao longo das últimas décadas.

Mesmo tendo como foco o cotidiano nas redações da grande imprensa nacional, a biografia de Zózimo consegue captar como a vida na cidade foi se transformando, desde o reinado inquestionável do café-society e das famílias ricas e tradicionais (Guinle, Monteiro Aranha, Marinho etc.) até os dias de hoje, com o domínio das celebridades de prestígio muito questionável, como jogadores de futebol, estrelas de reality show e todo tipo de arrivista.

Imagino que a Intrínseca, isto é, o publisher Jorge Oakim, tenha consciência da relevância editorial da história do Rio de Janeiro. Pois nos últimos meses foram lançados pelos menos dois livros, Os Guinle e essa biografia de Zózimo, que resgatam as mudanças no estilo de vida e na cultura dos cariocas ao longo do século XX. A curiosidade sobre a vida no Rio de Janeiro não se restringe aos estudiosos e ao público local. Em todo o país, e mesmo no exterior, há um enorme interesse sobre o passado recente da capital cultural do Brasil.

Assista ao trailer de Antes que eu vá, filme que estreia 2017

beforeifallmovie_trailer

Sexta-feira, 12 de fevereiro, é o último dia de vida de Samantha Kingston, uma garota que até então tinha tudo: o namorado mais cobiçado do colégio, três amigas fantásticas e uma vida privilegiada. Mas ela recebe uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. E, ao reviver o mesmo dia vezes seguidas, Samantha descobre, enfim, o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder. 

Este é o mote de Antes que eu vá, romance de Lauren Oliver (autora também da série Delírio) que está sendo adaptado para os cinemas. Dirigido por Ry Russo-Young, o filme tem estreia prevista para 3 de março de 2017 nos Estados Unidos e é estrelado por Zoey Deutch (Samantha Kingston), Halston Sage (Lindsay), Kian Lawley (Rob), Logan Miller (Kent), Cynthy Wu (Ally Harris), Elena Kampouris (Juliet Sykes) e Medalion Rahimi (Elody).

No romance publicado em 2011 pela Intrínseca, Lauren expõe as complexas relações que se formam dentro de uma escola, fugindo dos estereótipos habituais. Suas personagens, que inicialmente transparecem simplesmente egoísmo e superficialidade, são densas, guardam segredos e mágoas. Ao tentar mudar os acontecimentos do dia ao qual está presa, sua heroína se humaniza e, pela primeira vez, reflete sobre sua relação com as amigas, com a família, e sobre como seria o “último dia” que gostaria de viver.

Em breve, teremos mais novidades sobre a nova edição do romance!

Confira as fotos das filmagens:

foto_filme_antes_que_va_filme2

foto_filme_antes_que_va_filme4

foto_filme_antes_que_va_filme3

foto_filme_antes_que_va_filme6

foto_filme_antes_que_va_filme5

foto_filme_antes_que_va_filme7

foto_filme_antes_que_va_filme8

 

>> Leia um trecho de Antes que eu vá

Ganância em família

Por João Lourenço*

foto_a_grana_3

“Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” Você não precisa ter lido Anna Karenina para saber disso. Antes mesmo de aprender a ler, eu ouvia minha avó dizer algo semelhante ao que escreveu Tolstói no século XIX. Com um sotaque italiano carregado, ela repetia que família só muda de sobrenome e endereço. A grana, livro de estreia de Cynthia D’Aprix Sweeney, confirma essa máxima: família é tudo igual — principalmente quando há dinheiro envolvido.

Em A grana, acompanhamos a saga dos Plumb, uma típica família de classe alta de Nova York. São quatro irmãos de meia-idade, que não convivem bem entre si, e uma mãe distante e excêntrica. A história tem início quando o primogênito, Leo, escapa embriagado de uma festa de casamento com uma jovem garçonete e acaba provocando um constrangedor acidente de carro — eventualidade que transformará drasticamente o destino de toda a família.

A única coisa que une os Plumb é a ânsia pela distribuição do “pé-de-meia”. Trata-se de um fundo de investimento criado pelo patriarca, Leonard, que só poderia ser entregue aos filhos quando Melody, a caçula, completasse 40 anos. O dinheiro, depois de ter rendido muito bem em um fundo de investimento, serviria para assegurar um futuro mais confortável para eles, no entanto, grande parte do montante acaba sendo gasto para remediar os problemas causados pelo acidente de Leo. E é claro que seus irmãos tinham outros planos.

Ignorando o conselho do pai (“nunca conte com o ovo no fiofó da galinha”), os filhos passaram anos acumulando dívidas e listando projetos para o dia em que recebessem sua fatia do “pé-de-meia”. Melody, esposa e mãe de gêmeas adolescentes, tem uma hipoteca cara e duas mensalidades universitárias se aproximando; Jack, dono de uma loja de antiguidades, escondeu do marido que a casa de verão foi usada como garantia de empréstimo para pagar dívidas; Beatrice é uma escritora em decadência que teve que devolver o adiantamento do seu livro após não cumprir os prazos da editora.

Depois do acidente, a trama acompanha Leo por uma Nova York fria e chuvosa em uma peculiar tentativa de acalmar o ânimo de seus irmãos. Há anos os quatro não passavam nem os feriados juntos e a questão da grana acaba os obrigando a se reencontrar.

A grana é recheado de cinismo, com personagens afiados em suas narrativas autodepreciativas, e atraiu a atenção de nomes como a comediante Amy Poller, da série de TV Parks and Recreations. Poller descreveu o livro como intoxicante: “Não consegui parar de ler e de me preocupar com essa família disfuncional.” O destaque cômico fica para a personagem Francie, a mãe dos Plumb, que parece ter saído de um reality show como The Real Housewives of New York. Francie é daquelas socialites de língua afiada, que fazem comentários nada corretos e passam o dia de quimono de seda, afogando as mágoas em taças de martíni.

A grana é dividido em capítulos curtos e Sweeney intercala a trama principal com pequenas histórias de personagens secundários. Entre as desventuras da família Plumb, a autora encaixa capítulos que funcionam como contos que poderiam ser lidos isoladamente. É como se ela convidasse o leitor a fazer pausas para respirar. O capítulo 11, por exemplo, é uma das histórias mais honestas e comoventes sobre as consequências dos atentados de 11 de Setembro que já li.

De modo geral, o livro é uma carta de amor a Nova York, onde a autora morou por mais de 20 anos. A experiência de Sweeney pode ser percebida em uma escrita que descreve fielmente o mood da cidade. Com uma gama impressionante de detalhes, ela nos transporta para parques, restaurantes, hotéis e bares conhecidos de Nova York. O livro é um prato cheio para quem já está habituado com as ruas e segredos da Big Apple e também para quem pretende um dia visitar a cidade. A autora vai além dos cartões-postais e aborda temas como fama, poder, gentrificação, segurança pública, rede de ensino, cultura de mídia e, claro, ganância.

Mãe de dois filhos e casada com o braço direito do apresentador de TV Conan O’Brien, Cynthia D’Aprix Sweeney, depois de mais de duas décadas em Nova York, foi para Los Angeles com a família e abandonou uma carreira sólida no mundo da publicidade para estudar escrita criativa. Na etapa final do curso, incentivada por um professor, ela transformou o conto que já vinha trabalhando havia meses em romance. Assim nasceu A grana.

O título foi adquirido por uma quantia milionária, fato cada vez mais raro entre romances de estreia. Vai virar filme e, de acordo com a Amazon e o The New York Times, foi um dos livros mais vendidos em 2016. Agora, Sweeney prepara o roteiro para a adaptação cinematográfica do livro, que já conta com Jill Solloway, da série de TV Transparent, como diretora e produtora do projeto.

 

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.

As canções que você escolheu para mim

Parecia impossível, uma mentira. Mas aconteceria. Selma realmente iria se mudar do apartamento das Laranjeiras, aquele em que eu havia passado metade da minha adolescência e juventude, logo no começo da nova década. Era dia 31 à tarde, e fazia o calor infernal típico da véspera de Réveillon. Não estávamos preocupados com os fogos da meia-noite, era hora de fechar as contas.

Selma vivera diferentes encarnações em uma só existência — dizia que, ao aposentar-se e mudar para o interior com o novo namorado, estava começando sua nona vida. Estava chegando à última etapa de uma existência felina, que fora repleta de reinvenções: normalista apaixonada por Roberto, mulher e dona de casa, professora universitária, mãe e ativista, doutoranda e não mais mãe.

Entendia que ela desejava se livrar de tudo, dos livros e dos discos. Pensara em chamar um sebo para que tudo fosse rápido, mas sabia que esses vinis foram minha educação musical. Marina, Caetano, Bowie, Rolling Stones, Abba, ACDC. Selma não podia escolher, tinha de levar todos ou nenhum. Escolheu abandonar tudo, deixar as memórias para mim. O namorado havia trazido um aparelho de CD dos Estados Unidos. O futuro é compacto.

Em seus poucos anos, Otávio acumulou muita coisa. Vários discos comprados por mês, livros que a mãe o incentivava a ler. Decidi jogar no lixo os livros antigos que Roberto deixara para trás e que, por algum motivo, foram parar no quarto do filho. Devem estar obsoletos. Ao longo dos anos, a vida é um pouco como o direito: leis antes imprescindíveis, escritas em pedra, tornam-se vetustas. Convicções antigas caem por terra, quase todas.

Uma caixa grande, cheia de fitas cassete, uma para cada humor. Ninguém sabe o trabalho que dava fazer uma boa fita mixada. O gravador em pausa esperando a música começar no rádio, os primeiros acordes cortados. Havia tantas delas, que Otávio preparava uma para cada ocasião. Em caneta vermelha, cada música listada, com o respectivo nome do artista. E um título, como de um álbum: “Dia de sol na praia”, “Relax”, “Dor de cotovelo” e, bem no fim da pilha, “Inácio — set/86”.

Ele havia selecionado músicas pensando em mim. Decido que ficarei com o walkman amarelo da Sony, um dos bens mais preciosos de Otávio. Acho que ainda poderá ser usado por alguns anos. O gravador de mesa também levarei, assim como o cartaz de A Lagoa Azul, agora meio amarelado pelo passar dos anos. Objetos podem ser um testamento da vida de alguém. De como somos atemporais e, ao mesmo tempo, datados.

Ao contrário das demais fitas, a minha não tinha as músicas listadas. Seria preciso ouvi-la. Quando a coloco no tocador, faz um som estranho, a fita se solta do cassete. Retiro-a com cuidado e, com a ajuda de uma caneta, rebobino o conteúdo de volta. Aperto bem. Quero saber seu conteúdo. Lembro-me que, um dia, Otávio me disse que logo o esqueceria. Estava quase sempre certo, porém se enganara sobre isso. Não passa um dia sem que eu não queira comentar alguma coisa com ele, contar-lhe algo.

As canções que Otávio escolheu para mim começam a tocar. As músicas são bem antigas, a compilação foi feita  três meses antes de sua morte. Pergunto-me se ficou inacabada. Apenas nove canções.

“The crying game”, Culture Club

“Poema”, Ney Matogrosso

“London, London”, Gal Costa

“A menina dança”, Novos Baianos

“Tempo perdido”, Legião Urbana

“You are”, Lionel Ritchie

“When doves cry”, Prince

“Todo amor que houve nessa vida”, Barão Vermelho

“Esse outro mundo”, Heróis da Resistência

Qual vinho você é?

abertura-quiz-511x396

O universo do vinho é muito mais legal quando se tem conhecimento. Para saber qual tipo de vinho combina mais com a sua personalidade, criamos um teste divertido que vai ajudar a entender se você está mais para Cabernet Sauvignon ou para Prosecco.

Participe, compartilhe com os amigos e saiba mais em O guia essencial do vinho: Wine Folly, livro publicado recentemente pela Intrínseca que reúne explicações claras e acessíveis sobre os diferentes tipos de uva, harmonização e muito mais!

Teste aqui!

1img_7948

O guardanapo de vidro

img_20161109_135141

Na semana passada, fui convidado para fazer uma intervenção na vitrine da livraria Martins Fontes. Localizada na Avenida Paulista, talvez a calçada mais movimentada de São Paulo, a livraria tem uma imensa janela de vidro, onde volta e meia algum artista é convidado a deixar sua inspiração fluir. Fui o sortudo da vez.

Como nunca havia feito um desenho nessa proporção — até então meu território criativo não passava do limite de 9cm x 13cm dos meus guardanapos —, fiquei bastante inseguro para aceitar esse desafio. Mas aceitei. Tudo tem que começar em algum momento. A bem da verdade, as fronteiras da sensibilidade são ilimitadas. E inimitadas. Afinal, cada um tem sua forma de sentir. Cada um tem sua forma de se encaixar no mundo e de querer dialogar com ele. Encontrei a minha.

Escolhi um desenho que respeitasse algumas regras:

1) Simplicidade: a arte deveria seguir o universo que criei para o personagem Antônio. Ou seja, deveria manter o casamento da palavra com o traço. Por isso, além de escolher um desenho já presente no meu novo livro, Ilustre Poesia, resolvi também colocar um verso inédito para levar um pouco de poesia aos pedestres que estão sempre na correria entre uma reunião e um almoço de negócio.

2) Visibilidade: a arte deveria ser grande o bastante para chamar a atenção e poder ser vista de dentro da livraria, mas sem ofuscar o conteúdo da vitrine: os livros.  Quis algo que mantivesse a transparência. Esta deveria ser a relação do autor com o leitor: ser sempre transparente.

Enquanto ganhava coragem para começar minha arte, bati papo com alguns leitores que me reconheceram durante o processo e respondi a uma minientrevista para o mestrado de uma leitora. A pedido dela, levei alguns originais dos guardanapos para ela poder ter uma noção de como são feitos realmente. Enfim, mais do que um dia de criação, foi uma oportunidade de estar em contato ao vivo com meus leitores.

Em poucas horas, terminei minha intervenção. Agora, à minha frente, um imenso guardanapo de vidro se faz vivo. Dois rostos desconhecidos, vestidos de mar, se dão as mãos e esperam sua visita. Então, querido leitor, querida leitora, se você passar pelo número 509 da Avenida Paulista, faça um autor feliz: tire uma foto e coloque a hashtag #ilustrepoesianapaulista. Estamos combinados?

Polêmicas de Carnaval

beija-flor-ratos-e-urubus-1989

Detalhe do carnaval da Beija-flor de 1989 (Fonte)

O ano ainda nem acabou e já existe uma enorme expectativa em torno do próximo Carnaval no Rio de Janeiro. O motivo é simples: como o novo prefeito, Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal, não conseguiu convencer que acredita mesmo que o Estado seja laico, organizará a mais importante festa da cidade sem nenhuma interferência de caráter religioso.

É bem verdade que desde que o Carnaval carioca foi pensado como um produto da indústria turística, no início da década de 1930, o evento sempre foi marcado pela discórdia. Em Os Guinle eu conto como Octávio Guinle, na qualidade de colaborador da prefeitura e de proprietário de dois hotéis, o Copacabana Palace e o Palace, foi criticado ao mandar fechar a principal avenida da cidade, a Rio Branco, para dar maior visibilidade à festa momesca.

Ao longo dos últimos 80 anos, não faltaram debates acalorados sobre o assunto Carnaval. Em 1940, o periódico O Jornal publicou várias matérias alertando sobre seus efeitos nefastos na saúde dos foliões. Segundo o iminente neurologista e professor Austregésilo, o Carnaval “depaupera e deixa o corpo indefeso para a luta contra as moléstias”.

No final daquela década, a imprensa criticava a Comissão de Carnaval da prefeitura encarregada de julgar os melhores sambas e as melhores marchinhas e defendia que o julgamento pertencia ao povo. Em 1952, as autoridades da cidade se prepararam, pois acreditavam que ao longo dos quatro dias de folia haveria “grandes massacres”. Quase acertaram: o badalado Baile dos Artistas acabou em enorme pancadaria.

Quando o desfile das escolas de samba se cristalizou como auge do Carnaval no Rio, as polêmicas foram ainda mais intensas. Durante anos discutiu-se o local ideal dos desfiles no Centro: seria na avenida Presidente Vargas, na avenida Rio Branco ou na avenida Antonio Carlos?

Quando, enfim, fundaram o Sambódromo para abrigar os desfiles, em 1984, a discussão em torno do local acabou. Mas surgiram outras: em 1989, por conta do primeiro nu frontal da passista Enoli Lara; em 1998, porque a bela Luma de Oliveira usou uma coleira com o nome do marido, o empresário Eike Batista. Nos últimos anos foram os blocos de rua que passaram a dar o tom das reclamações acaloradas: atrapalham o trânsito, sujam a cidade, são violentos etc.

Caso no Carnaval de 2017 surja alguma crítica ao novo alcaide por questões religiosas, nem estas serão inéditas. Vale lembrar que em 1989 o enredo da Beija-Flor (“Ratos e urubus, larguem a minha fantasia”) foi vítima de censura por parte da Igreja católica. A Arquidiocese, por meio de uma liminar da Justiça, proibiu a reprodução do Cristo Redentor em um dos carros que iam compor o desfile do carnavalesco Joãosinho Trinta. A alegoria entrou na passarela mesmo assim, mas coberta por um plástico preto e uma faixa com os dizeres “Mesmo proibido, olhai por nós”.

 

10 curiosidades sobre O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares

saidadegraficainstagramLeitores, a espera está acabando! O primeiro livro da série O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares chega às livrarias a partir de 12 de novembro. Para sua estante ficar completa e perfeita, nossa edição é tão caprichada quanto Cidade dos etéreos e Biblioteca de Almas, com capa dura, sobrecapa e páginas em duas cores.

A história começa com Jacob Portman, um garoto de 16 anos, enfrentando a misteriosa morte do avô e indo em busca de respostas. Para isso, ele segue pistas que o levam a um casarão abandonado numa remota ilha do País de Gales. O local abrigava crianças com dons sobrenaturais, protegidas graças à poderosa magia da diretora, a srta. Peregrine.

Confira dez curiosidades sobre a primeira série toda em capa dura da Intrínseca:

1 – Coincidências macabras: uma das fotos mostra uma mulher que é igualzinha à nossa editora! E tem também a foto de uma menina idêntica a uma das revisoras quando criança — ela própria se identificou quando estava trabalhando no livro (“Sou eu!”). Bizarro, não?

scary-santa-alt2 – Foram quatro meses para traduzir do inglês e mais dois de leitura interna, diagramação e revisão, além de adaptação da capa.

3 – Como a nossa edição é em capa dura, tivemos mais etapas de produção do que um livro comum, em brochura.

4 – Em vez de apenas dois tipos de papel, que é o mais comum, O lar da srta. Peregrine precisa de quatro papéis diferentes: um para a sobrecapa, outro para o revestimento da capa dura (aquele vermelho lindo!), outro para a guarda (aquele mais durinho no verso da capa) e mais um para as 352 páginas do miolo.

livrospeculiar

5 –  O material da capa dura também é diferente do usado numa capa de brochura: além de todos os papeis citados acima, utilizamos também o papelão revestido com um papel couchê como base.

pantone

6 – Todos os livros da série, incluindo o extra, Contos peculiares, foram impressos com cores especiais.

peculiaresfoto

7 – As fotografias internas tiveram tratamento especial, incluindo pequenos ajustes nas molduras e o trabalho de um artista gráfico para adaptar para o português as cartas manuscritas e as anotações dos personagens nas fotos.

miolo

8 – O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, Biblioteca de Almas e Contos peculiares foram todos produzidos em nove meses, praticamente ao mesmo tempo (haja fôlego!), cada um em uma etapa diferente. Dos tradutores aos produtores gráficos, foram, no total, cerca de 50 pessoas trabalhando diretamente na série.

9 – Adaptar piadas é uma das partes mais difíceis do texto. Uma delas só foi resolvida no último minuto: a pousada Priest Hole [buraco do padre], que Jacob ouve errado e pensa ser Piss Hole [buraco do mijo], virou Abrigo do Padre, para ser confundida com Umbigo do Padre.

10 – Um dos nossos colaboradores externos participou da produção dos três livros da série, mas em cada um fez um trabalho diferente: revisão, preparação de texto e conferência da prova final. Que versatilidade!

Playlist de Não se enrola, não

naoseenrola_5

Em Não se enrola, não, Isabela dá os primeiros passos na vida adulta, muda-se para São Paulo, conquista um emprego e começa um relacionamento sem nome definido com Pedro Miller. Vizinhos no Baixo Augusta, os dois dividem muitos momentos e a paixão por bandas como One Republic, Oasis, Charlie Brown Jr., Pearl Jam, The Killers, Kings of Leon e muitas outras!

Para entrar no clima do terceiro livro da autora, criamos uma trilha sonora com as músicas citadas na obra. É só ligar o som!

O livro, o filme, a peça

075-la-c3-a7os-de-ternura

Cena do filme Laços de Ternura (Fonte)

Nada melhor do que uma boa história. E Laços de ternura (Terms of endearment), livro de Larry McMutry ambientado no estado americano do Texas, com a clássica trama sobre o relacionamento entre mãe e filha, certamente venceu o teste do tempo. Lançada originalmente em 1975, a obra, que virou filme oito anos depois (com Shirley MacLaine, Jack Nicholson e Debra Winger), vencendo cinco Oscar, acaba de ser adaptada como peça de teatro em Nova York. Tive o prazer de vê-la semana passada.

Larry McMutry é um autor de grandes sucessos, entre eles O indomado (Hud, que virou filme com Paul Newman em 1963) e Os pistoleiros do Oeste (no original, Lonesome dove, ou Pomba solitária, adaptado para a TV com Robert Duvall em 1989), além de A última sessão de cinema (The last picture show, de 1971), um dos melhores filmes dos anos 1970.  Apesar de seus livros terem sempre sido adaptados para o cinema por terceiros, ele escreveu o roteiro de O segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain), a partir de conto de Annie Proulx.

Tenho de ser sincero e dizer que não li Laços de ternura – a última edição que circulou no Brasil, ainda nos tempos do Círculo do Livro da Abril, é de meados dos anos 1980. Mas, graças à internet, acabei de comprar um exemplar bem antigo pela bagatela de sete reais. A ideia é colocá-lo na minha lista de leituras programadas para o fim do ano.

Para escrever este artigo revi o filme, que agora faz parte da minha coleção de DVDs. Lendo algumas resenhas que saíram à época do lançamento do livro, percebi que a trama original era ainda mais “novelesca” do que a do filme. Entre os itens eliminados estão casos de amor que não adicionavam nada à trama principal e diversos personagens secundários.

Se o filme, com suas duas horas e quinze minutos, já resumia muita coisa, a peça, que tem pouco mais de cem minutos, vai ainda mais direto ao essencial: Laços de ternura é uma história de amizade, amor, brigas e redenção. E o que importa é a dupla central: Aurora Greenway, uma viúva teimosa, voluntariosa e irredutível, e sua filha Emma, que só quer ter uma vida normal ao lado do marido e dos filhos. É justamente a parte “normal” da vida que Aurora não consegue aceitar.

Da tela para o palco, muita coisa foi eliminada: os vários “pretendentes” de Aurora, o amante de Emma (que agora é mencionado apenas de passagem), enquanto outros personagens perderam relevância, como Patsy, melhor amiga da filha. Ainda vitais para Laços de ternura são duas figuras masculinas: o marido de Emma, Flap (que no filme foi vivido por Jeff Daniels), e o astronauta aposentado Garrett (uma interpretação marcante de Jack Nicholson).

No fim das contas, o teatro acaba sendo o meio do ator. Emma, que no filme foi defendida com um pouco de exagero por Debra Winger, agora é interpretada pela novata Hannah Dunne – correta, mas pouco intensa. O grande personagem de Laços de ternura, no entanto, é Aurora. Na peça, quem assume o lugar de Shirley MacLaine é nada menos do que Molly Ringwald. Sim, a atriz que, quando jovenzinha, protagonizou Clube dos Cinco e A garota de rosa-shocking.

Aos 48 anos, Molly “encarna” Aurora de uma forma diferente — e, acreditem, mais eficaz — do que Shirley MacLaine. No filme, Aurora tem um início caricato, quase estridente, e se humaniza somente quando vive uma tragédia. Na peça, Molly busca outro registro: apesar de manter Aurora um pouco acima do tom, tem a sabedoria de interpretá-la com uma pitada de vulnerabilidade, como se toda a confiança que ela exibe fosse uma espécie de mecanismo de defesa.

Resta dizer que, como no filme, as cenas finais são de cortar o coração — e Molly, pegando fogo, entrega-se a cada uma delas. Entre os outros atores, destaque também para Jeb Brown, veterano da Broadway que traz alívio cômico como o ex-astronauta Garrett. Embora carismático, o ator às vezes parece estar quase incorporando Jack Nicholson como Garrett, e não o personagem em si.

Tendo saboreado o filme e a peça, mal posso esperar para que o livro chegue pelo correio. Quarenta anos depois, Laços de ternura se mantém relevante, pois trata de temas atemporais. Além disso, tem um elemento vital para o tipo de literatura que aprecio: preocupa-se sobretudo em emocionar para, posteriormente, fazer o leitor refletir.